
Deputado José Otávio Germano no Plenário
O futuro depende da nova geração
Aristóteles Drummond *, Jornal do Brasil
RIO – O Brasil está, efetivamente, queiram ou não, numa encruzilhada histórica. Nos próximos anos pode se consolidar como uma potência econômica, democrática, fraterna, socialmente justa e aberta. Mas também pode tomar outro caminho, ingressando em processo de desagregação moral, entregue ao pior populismo e à corrupção existente em tantas nações do terceiro mundo – especialmente algumas africanas – igualmente dotadas de recursos naturais de grande valor e que já viveram momentos de progresso com austeridade e ordem. E com a liberdade comprometida.
O drama maior da crise política pode estar oculto pelo clima democrático em que vivemos – mas latente na ação desagregadora de alguns, que, despudoradamente, apoiam antissemitas confessos em entidades internacionais. São os mesmos que iam receber carinhosamente um radical que coloca diariamente a paz mundial em risco e que pregam aqui a divisão do povo em raças, quando não em classes que desejam ver em confronto. Este tipo de homem público, entre os 50 e 70 anos de idade, carrega forte sentimento de frustração pelos anos perdidos nos equívocos da juventude. Não conseguem superar traumas, justificados ou não.
Na outra ponta estão os que se preocuparam mais na construção do Brasil grande, moderno, competitivo a ponto de, em 20 anos (64-84), saltar da 46ª posição para a oitava, em esforço notável, mesmo que ao preço de uma limitação parcial das liberdades democráticas. Nunca fomos uma ditadura, embora, efetivamente, tenhamos vivido anos de autoritarismo esclarecido – nem por isso menos autoritário.
Agora o mundo é outro. A realidade histórica é totalmente diferente e, talvez, por este motivo, custe a ser entendida pela geração que viveu o passado recente de forma tão intensa, justamente nos melhores anos de suas vidas. O que, inclusive, pode explicar o comportamento surpreendente de tantos que parecem só pensar em tirar proveito pessoal da conquista do poder, nesta constrangedora corrida aos ganhos imorais, ilegais e aéticos.
Quem não fica olhando para o umbigo sabe que o fenômeno é internacional. A velha Europa, austera e tão crítica dos hábitos de suas antigas colônias, está mergulhada na sucessão de escândalos que, como aqui, está acima dos partidos e das ideologias. A Europa do leste tem uma estrutura empresarial com relações desavergonhadas com o setor público; os políticos ingleses, espanhóis e portugueses não fazem outra coisa senão se explicarem por causa de escândalos não muito diferentes dos nossos. O Senado na França acaba de passar um pente fino nas suas despesas e nas vantagens recebidas por seus membros. Não existem culpados; a não ser a estrutura que foi sendo criada em nome da democracia. Nos EUA um governador tentou vender um mandato de senador. Logo, a conclusão mais simples e razoável é que esta geração, que tem gente muito boa, está contaminada. O bom elemento dificilmente escapa do parente, correligionário ou “companheiro” que compromete.
Existe, entretanto, uma nova geração que está dando certo, que tem apoio popular, que apresenta resultados, que atua com métodos transparentes e mais comprometidos com o interesse público e não com uma visão meramente eleitoreira ou partidária de suas funções. Nesta direção é que a sociedade brasileira deve se encaminhar, ajudando a quem chegou à política sem a mentalidade do controle das legendas e sem querer impor soluções que não sejam agregadoras. Gente nova, sem mágoas, sem preconceitos, sem obsessões.
Para dar nome aos bois, cito estas referências positivas de jovens abaixo dos 50 anos, como os governadores Sérgio Cabral e Aécio Neves; os prefeitos Eduardo Paes e Gilberto Kassab; os vices do Rio e de Minas, Pezão e Anastasia; os deputados Rodrigo de Castro (o mais votado em Minas); José Otavio Germano, gaúcho do PP; Mauricio Hands, petista de Pernambuco; Índio da Costa (DEM-RJ); ACM Neto, da Bahia. E há ainda mais uma meia dúzia de valores, alguns até sem mandato, como Júlio Lopes, secretário no Rio, apesar de mais de 90 mil votos obtidos.
Sem uma troca de geração e, consequentemente, de mentalidade, nosso futuro pode ser mais sombrio do que se possa imaginar. Basta olhar para o outro lado do Atlântico e para alguns de nossos vizinhos.
* Jornalista